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domingo, 19 de abril de 2009

Urbanização de arroios

Saída de Campo com o Engenheiro Sanitarista Paulo Paim, nosso consultor da equipe do projeto, e atualmente representante do Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. A equipe de gravação era composta por Ana Luiza Carvalho da Rocha na direção, Rafael Devos na câmera e Viviane Vedana na etnografia sonora.

Saímos de casa em “horário de engenheiro”, 06:30 da manhã, para buscarmos Paim. No caminho, algumas combinações. Paim vai olhando ao longo do arroio, da Av. Barão do Amazonas até a Av. Antônio de Carvalho, algumas questões para nos mostrar. Vou gravando com Vi suas primeiras falas, para ajustar o dispositivo de gravação. O rosto de Paim levemente iluminado pelo sol da manhã e o arroio passando ao fundo evocam outras imagens produzidas pela pesquisa.

Primeiro ponto a observar: Beco dos Marianos. Ali Paim nos comenta o que seria o “arroio natural”, com a vegetação em volta que ajuda a sustentar o leito do arroio, o solo que absorve boa parte da água, e uma “cara de sistema” que está sendo hoje recuperada pelo sanitarismo contemporâneo – recentes loteamentos devem deixar como área de lazer, “parque” os leitos dos arroios, sem construir nada na margem, sem canalizar. Ainda vou me ajustando ao esquema de entrevistar e gravar ao mesmo tempo, com Paim já tenho intimidade para segurar a entrevista mesmo olhando pelo visor da câmera. De dentro do carro, percorrendo esse trecho da Av Ipiranga ainda sem asfalto, Paim observa que apesar do arroio parecer “natural” ele possui uma murada de contenção. Paramos o carro para conversar com uns moradores sobre o “nível” até onde chega o arroio em cheias. Essa parece ser uma informação muito importante – na Ipiranga do asfalto, o limite é a altura das pontes, exatamente. Os moradores, dois rapazes, não parecem muito am interessados, mas fazem sinal que estão atrasados para pegar o ônibus. Esse é o problema de abordar alguém na Av. Ipiranga – ali a ética é a da pressa e do trânsito que flui, não do passeio, com exceção para os corredores e caminhantes do final de tarde. Ainda dentro do carro, Paim retoma suas lembranças de Teresópolis – confessa que os seus pais pedim para ele jogar o lixo de casa no arroio, no mesmo arroio que ele e o irmão brincavam. Constata que apesar da casa estar “de costas” para o arroio, deste ser os “fundos” da casa, era para eles um quintal, ou seja, fico pensando, fazia parte de um microcosmos. Interessante como Paim retoma constantemente essa imagem da infância, do arroio Passo Fundo no Bairro Teresópolis como sua imagem primeira da água. É o que Bachelard vai nos dizer sobre a nossa rivière íntima, uma água que corre nas profundezas de nosso imaginário, e que nos remete ao nosso cosmos interior, que é mais presente na infância. Claro que essa imagem da lembrança foi acionada pelo “arroio natural”. Quando entramos no arroio onde é mais evidente a obra de saneamento, foram mais outras questões de saneamento e sua relação com a cidade que surgiram. Ana chama a atenção para o fato de que essa aparente “desordem”, “falta de obra” que o arroio “natural” apresenta poderia ser uma motivação simbólica para um certo descaso com o arroio, no sentido de que ele seria uma fronteira, limite, fim do espaço urbanizado, não ser “de ninguém”.

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