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domingo, 12 de dezembro de 2010

Fiz um video sobre o Arroio Diluvio

Fiz um video sobre o Arroio Diluvio


em duas partes

Arroio Diluvio - Passado, Presente e Futuro

Ass. -







sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O caso da região da Rua Beco dos Marianos:

A/C de Renata.

Olá Renata, estava lendo tua matéria no site dos habitantes do arroio, e gostaria de poder contribuir esclarecendo, que quando conversa com Anderson que a rua Atenas é a mais conhecida...acredito que houve interpretação errônea, pois a rua Atenas é a rua que ele mora, e quando ele diz que qualquer cobrador conhece a "Atenas" na verdade a referência desta localidade é o motel Atenas na Av. Bento Gonçalves que fica em frente da rua Beco dos Marianos que é a rua principal da Vila Grécia.

atenciosamente.

Simone Borges

sábado, 23 de outubro de 2010

Agenda de encerramento ações do Projeto Habitantes do arroio




Habitantes do arroio, projeção de dvd interativo
Horário: 19:00 h às 20h e 30min

Data: 5 de outubro de 2010
Local: Colégio Aplicação/UFRGS, proximo ao curso do arroio Dilúvio
Parceria: UFRGS/Habitantes do Arroio/ Depto. de Humanidades do Colégio Aplicação/Associação dos Geógrafos Brasileiros/ABG – seção Porto Alegre
III Colóquio de estudos Urbanos da Região Metropolitana de Porto Alegre/ PMPA



O caso da região da Rua Beco dos Marianos: um estudo antropológico sobre os usos e abusos das águas e territórios urbanos no Morro Santana, Bairro Agronomia, Porto Alegre/RS.
Habitantes do arroio, estudo de conflito de águas urbanas/Projeto CNPq CT/Hidro-CT/Saúde
Data: 19 de outubro de 2010
Horário: 20:00 h
Local: Faculdade de Educação/UFRGS - 5o andar
Salão de Iniciação Científica/SIC/Propesq/UFRGS



Habitantes do arroio: conflitos de uso de águas urbanas, risco, saúde pública e comunidades éticas em Porto Alegre-RS
Projeto CNPq CT/Hidro-CT/Saúde
Data: 18 de outubro de 2010
Horário: 21 h e 30 min
Local: Morro Sta Tereza- RBS TV
Programa Camarote TVCOM



Habitantes do Arroio, um estudo de conflitos de uso de águas urbanas, risco, saúde pública e comunidades étnicas em Porto Alegre-RS
Projeto CNPq CT/Hidro-CT/Saúde
Data: 21 de outubro de 2010
Horário: 14:00 h
Local: Faculdade de Educação/UFRGS - 5o andar
Salão de Iniciação Científica/SIC/Propesq/UFRGS


“habitantesdoarroio.blogspot.com”: uma experiência com novas metodologias para o conhecimentos sobre conflitos de usos de águas urbanas
Projeto CNPq CT/Hidro-CT/Saúde
Parceria: UFRGS/Projeto Habitantes do Arroio/ Secretaria Municipal de Educação/SMED/Grupo de Apoio Político-pedagógico Educação Ambiental
Data: 21 a 23 de outubro de 2010
Horário:
Local: Secretaria Municipal de Educação/SMED
Seminário de Educação ambiental da rede municipal de ensino/SMED com a entrega oficial dvd interativo à rede municipal de educadores ambientais


Arroio Dilúvio como paisagem visual e sonora: mostra de crônicas etnográficas/Projeto CNPq CT/Hidro-CT/Saúde
Data: 23 de outubro de 2010
Horário: 9:00h às 12:00h
Local: Auditório 2 do IFRS
Parceria: UFRGS/Projeto Habitantes do Arroio e Instituto Federal Rio Grande do Sul/IFRS


“habitantesdoarroio.blogspot.com”: novas metodologias de transferência e/ou apropriação de conhecimento e tecnologias na sub-bacia do arroio Dilúvio/Projeto CNPq CT/Hidro-CT/Saúde

Data:27 de novembro de 2010
Horário: 10 h 30min às 12:00 h
Local: Auditório da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação/UFRGS
Mostra Técnico-científica do Instituto Federal Rio Grande do Sul
Parceria: UFRGS/Projeto Habitantes do Arroio e Instituto Federal Rio Grande do Sul/IFRS

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Para o Arroio de Cadeirinha.

Diário de campo referente ao dia 29-07-2010.

Para o Arroio de cadeirinha.

Autor: Deborah Beck

Fundo de Origem: Projeto “Habitantes do Arroio: estudo de conflitos de uso de águas urbanas, saúde pública e comunidades éticas em Porto Alegre, RS.”.

Conheci o Sr. Rodrigues através de uma indicação da professora Ana Luiza, que me instigou a conhecer este simpático senhor, antigo morador dos arredores do Arroio Dilúvio.

Ana me disse que o conheceu na portaria do Instituto de Pesquisas Hidráulicas, o IPH, um dos Institutos pertencentes a UFRGS.

Estava a pé e foi imensamente agradável minha etnografia. Fui seguindo pela estrada, cercada e serrada de arvores, fazendo um contraste com as sombras dos verdes no alto das copas.

Entrei na portaria do prédio em que ele trabalha como quem não quer nada, vi um senhor simpático andando de um lado para o outro, proativo e sorridente.

Apreensiva, fui até o bebedor e depois me dirigi a ele, perguntando se ele sabia onde eu poderia encontrar o Sr. Rodrigues. Abrindo um sorriso que por si só já me deixou a vontade, ele respondeu: sou eu mesmo. Então expliquei a ele o motivo da minha visita, falei-lhe sobre os Habitantes do Arroio e disse que minha orientadora havia me dito que ele era um antigo morador e que estava muito disposto a contar suas memórias.

O senhor José Rodrigues me contou seu pai comprou um terreno em 1949 (quando ele tinha apenas um ano) na Av. Rocio, localizada na Vila João Pessoa como na época era chamado o que hoje denominamos Partenon, mais ou menos na década de 50, quando o Arroio fazia parte das práticas cotidianas das donas de casa que lavavam ali suas roupas.

Disse-me também que nasceu com uma deficiência física, a Poliomielite muito comum na época.

A primeira vez que o senhor Rodrigues caminhou, foi aos sete anos. Até então ele vivia em uma espécie de cadeirinha de vime que sua mãe utilizava para carregá-lo de um lado a outro. Então em um lado da cintura ela carregava a bacia de roupa suja e do outro a cadeirinha de sua criança.

Quando começou a caminhar, foi conhecendo aquele Arroio e ia com o resto da gurizada tomar banho, pescar e brincar. Disse-me que ali existiam marrecões do banhado e que pode tomar banho até mais ou menos seus 14 anos, porque depois já estava demasiadamente poluído.

O senhor José Rodrigues viveu na Av. Rocio até casar, aos 22 anos, quando se mudou para outro bairro viveu oito anos e mudou-se novamente para Viamão, onde vive até hoje. Disse que ao lado de sua casa também passa um arroiozinho poluído, e mesmo tendo lixeira seus vizinhos jogam o lixo no arroio por pura falta de consciência.

Perguntei-lhe o que ele sentia vendo o Arroio de sua infância, poluído, ele disse: Da vontade de chorar, aquela sujeira lá dentro, aqueles sofás. Agente vê até que tem peixe, tem vida, mas eles saltam e morrem.

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Orla do Guaíba_Saco de Santa Cruz

Sugiro divulgação de matéria que postei no blog "Hidroviasi Interiores - RS" (http://hidroviasinteriores.blogspot.com), relativa ao empreendimento imobiliário "Ponta da Figueira Marina".

http://hidroviasinteriores.blogspot.com/2010/08/saco-de-santa-cruz-projeto-imobiliario.html

Grato, Hermes.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A ambientalização dos conflitos sociais

Divulgamos aqui a palestra do Prof. José Sérgio Leite Lopes, "A ambientalização dos conflitos sociais", uma das grandes inspirações do nosso projeto. Colocamos aqui alguns trechos, e na sequência divulgaremos em novas postagens alguns momentos do evento "Cidade das Águas", que reuniu técnicos, pesquisadores, estudantes e habitantes do arroio, envolvidos com a gestão ambiental na cidade. Parte desta palestra pode ser conferida no artigo "Sobre processos de "ambientalização" dos conflitos e sobre dilemas da participação", publicado na Revista Horizontes Antropológicos, que está disponível online:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832006000100003&script=sci_arttext


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As leis ambientais têm sua origem em conflitos sociais:

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Sobre José Sérgio Leite Lopes:


José Sérgio Leite Lopes
é Professor de Antropologia no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de pesquisador bolsista do CNPq. Em 2003 e 2004 desenvolveu atividades como pesquisador e professor visitante na Universidade Federal de Pernambuco (na pós-graduação de Sociologia). Durante mais de vinte anos tem trabalhado na temática da cultura das classes trabalhadoras no Brasil. Nos últimos anos vem também dando atenção à história social da sociologia do trabalho, à antropologia do esporte, assim como à relação entre meio ambiente e modos de controle público. É autor de O Vapor do Diabo: O Trabalho dos Operários do Açúcar (Paz e Terra, 1976) e A Tecelagem dos Conflitos de Classe na Cidade das Chaminés (Marco Zero/ Ed.UnB, 1988) e organizador de livros sobre mudança e reprodução social no Nordeste e cultura e identidade operária. Destacamos, sobre a temática ambiental, "A Ambientalização dos Conflitos Sociais: participação e controle público da poluição industrial",
José Sérgio Leite Lopes (coord.); Diana Antonaz, Rosane Prado, Gláucia Silva (orgs.). Relume Dumar, 2004. Uma resenha sobre o livro pode ser encontrada em: http://antropologia.com.br/res/res29_1.htm

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Porto Alegre Cidade das Águas

Entre os dias 11 e 12 de junho, estaremos realizando um evento para encaminhar alguns resultados do projeto. O evento consiste em uma palestra com o antropólogo Prof. José Sérgio Leite Lopes, aberta ao público. Na sequência, realizaremos uma oficina técnica com representantes de várias instituições de gestão ambiental, pesquisa e ensino da cidade. A participação na oficina é limitada mediante inscrição. Maiores Informações podem ser solicitadas no email do projeto: habitantesdoarroio@gmail.com

Segue a programação do evento:

SEXTA-FEIRA - MANHÃ
11 DE JUNHO DE 2010 - 8:30 horas
Abertura

9:00 às 10:30 horas
Palestra (aberta ao público)
Prof. Sergio Leite Lopes-UFRJ– Museu Nacional/UFRJ
Título: A Ambientalização dos Conflitos Sociais

Intervalo

11:00 às 12:30
Apresentação de Conclusões do Projeto Habitantes do Arroio
Metodologia de trabalho

TARDE - 14: 00 às 16:00 horas
Oficina A (participação mediante inscrição)
Título:
Os territórios de pertença dos habitantes do arroio e as diferenças de usos das águas na bacia hidrográfica do Dilúvio

Intervalo

16:30 às 18:horas
Oficina B (participação mediante inscrição)
Título:
Esgoto pluvial. Chuvas-enchentes (“águas de ninguém”)

SÁBADO
MANHÃ - 12 DE JUNHO DE 2010
9:30 às 12:00 horas
Oficina C (participação mediante inscrição)
Título
Ocupação irregular, esgoto domestico e resíduo sólidos na bacia do Arroio Dilúvio

Intervalo/almoço

14: 00 às 17:00 horas
Fórum

17:30 - Encerramento

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O arquipélago da Ilhota e do Areal da Baronesa

Documentário Mestre Borel - A ancestralidade negra em Porto Alegre

Divulgamos aqui algumas sequências do Documentário etnográfico Mestre Borel - A ancestralidade negra em Porto Alegre, que narra as memórias de um dos mais reconhecidos tamboreiros da religião de matriz africana em Porto Alegre. A equipe de produção do documentário contou com pesquisadores que atuam no projeto Habitantes do Arroio, uma parceria que gerou uma troca produtiva de imagens. Com a narrativa de Borel, muitas imagens dos territórios do Areal da Baronesa, da Ilhota e da antiga rua Cabo Rocha ganharam vida, revelando a relação íntima do antigo curso do Arroio Dilúvio com a memória negra na cidade.

Nesta primeira narrativa, Mestre Borel situa o Arroio Dilúvio em um "arquipélago" que remete às memórias de uma "zona de negros", como nos revela:


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Na companhia de "Morena", também personagem importante da religião africana na cidade, Borel narra a relação da Ilhota e do Areal da Baronesa com a outra margem do Arroio, onde existia o chamado "Forno do Lixo", zonas de prostituição e claro, casas de religião africana, carnavalesco e sobretudo, as redes de parentesco que remontam a diferentes etnias que compuseram linhagens da memória negra na cidade.

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Percorremos alguns destes territórios narrados, buscando as marcas na paisagem atual destes espaços que Mestre Borel nos faz imaginar.

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O documentário foi produzido com financiamento do FUMPROARTE, da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.

Mestre Borel - A ancestralidade negra em Porto Alegre
2010 - 55 minutos - Porto Alegre

Produção: Ocuspocus Imagens
Direção: Anelise Gutterres e Baba Dyba de Iemonjá
Roteiro: Ana Luiza Carvalho da Rocha
Direção de Fotografia: Rafael Devos
Etnografia Sonora: Viviane Vedana
Edição: Rafael Devos, Viviane Vedana, Anelise Gutterres
Produção Executiva: Anelise Gutterres
Assistência de Produção: Inara Moraes

contato: http://www.ocusimagens.com.br

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Natureza de dona Zenaide



A casa de Dona Zenaide é a última do morro, sua porta de entrada fica de frente para a Rua Acesso Dois, dando boas vindas aos que chegam. Quando chegamos, ela estava abaixada, vestindo uma roupa simples (de ficar em casa) e cavoucando o solo com tamanha familiaridade, que a terra em suas unhas e entre suas mãos grossas parecia ter sempre estado ali.


Cumprimentamos Dona Zenaide, madrugadeira, ela logo nos disse: “Tava pensando em vocês, será que elas não vêm hoje?”. Estamos aqui, respondeu Renata, e juntas rimos.

Indaguei o que Dona Zenaide estava fazendo e ela respondeu-me que ia pegar um “esterquinho, uma terra boa” para fertilizar um pedaço de terra em frente a sua casa, para posteriormente, quando o calor cedesse um pouco, plantar algumas mudas de alface. Dona Zenaide, preocupada em nos dar toda a atenção, quis parar de fazer as tarefas que realizava no momento em que chegamos, mas insistimos para que ela continuasse sua atividade, pois adoraríamos acompanhá-la.

Quando estávamos atrás da sua casa, perguntei se o esterco que ela iria usar para adubar a terra era da compostagem feita com o resto de seu lixo orgânico – que ficava na parte de trás da casa, rente ao muro- ela me disse que sim e nos mostrou um saco branco de esterco, que fora curtido por ela.

Dona Zenaide pegou o saco e com um pedaço de madeira que usava para pegar o esterco, começou a espalhá-lo em um pedaço do terreno da vizinha que fica rente ao seu muro.

Perguntei se ela tinha livre acesso aquele terreno e ela me disse que sim, que com o consentimento da sua vizinha, ela plantou abóbora, couve, vagens, feijão e as “pipoquinhas” que vim a descobrir serem milhos. Dona Zenaide nos mostrou tudo o que plantou: chuchu, gengibre, abobrinha, esponja vegetal e contou-nos sobre as perdas da plantação devido ao calor, sabia e pesarosa disse-nos como a “natureza anda triste”, como o clima anda mudando e que embora o mundo não acredite, ela sabe que é verdade, pois está acompanhando toda essa mudança.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Compostagem: uma interessante solução para o lixo orgânico

No Bairro Agroniomia, ao pé do Morro Santana – onde corre as águas do Arroio Dilúvio e onde desemboca um sinuoso afluente – conhcemos um surpreendente casal que vive na Rua(1). Esta família abriu as portas de sua residência e nos mostrou um pouco de suas práticas cotidianas. Segue a baixo narrativa fotográfica e um breve trecho do diário, desenvolvidos pela bolsista Renata Ribeiro, após esta saída a campo:



Dos fundos da casa de Detemar ainda era possível ouvir o barulho dos carros na Avenida Bento Gonçalves, porém agora este som era bastante leve, quase imperceptível. Os sons da água e da natureza se sobrepunham aos do trânsito.

Durante a conversa perguntei ao nosso informante como funcionava a coleta de lixo naquela região. Ele falou-nos que o caminhão sobe até o alto do morro, mas que infelizmente não há coleta seletiva. Contou-nos que mesmo a prefeitura não prestando este serviço, ele e sua esposa têm o hábito de separar o material inorgânico do orgânico. Quando este senhor nos disse que tem este costume, fiquei um pouco incrédula, pensei: “Será que não é lorota?”. Detemar, falou-nos então, que tem um minhocário, onde coloca o seu lixo orgânico para fazer a compostagem em que estes bichinhos se alimentam e crescem para depois serem realocados à horta cultivada pela família. O informante mostrou-nos a sua criação de minhocas que fica dentro de um cano de PVC repleto de compostagem protegido por um pedaço de telha, para evitar os passarinhos. Fiquei bastante surpresa ao ver tudo aquilo; contudo mesmo assim eu tinha uma “pulga atrás da orelha”, “Será que ele separa todo o lixo mesmo?”, perguntava-me. Com delicadeza pergunto a ele se é possível fotografar também o seu lixo seco. Detemar responde que sim e minhas dúvidas quase que somem. “Não dou o braço a torcer até que eu veja o prometido”.

Entramos na casa, uma residência grande em comparação às outras da região, porém simples. Passamos pela sala, logo chegando à cozinha, onde Jeneci lavava a louça. A primeira coisa que se observa é que em cima da pia havia alguns potes com cascas de alimentos e outros materiais orgânicos já separados. Naquele momento já fiquei bastante surpresa, o suficiente para anular qualquer dúvida que me restasse a respeito deste casal fazer ou não a coleta seletiva. Contudo, o mais surpreendente ainda estava por vir: eles tinham duas lixeiras uma ao lado da outra, cada uma para receber o seu respectivo lixo, orgânico e inorgânico. Seu Detemar a pedido nosso simulou o gesto de colocar na lixeira as cascas que estavam já separadas nos potes sobre pia. Fotografamos não somente as lixeiras, como também Jeneci lavando a louça e Detemar jogando o lixo fora. Durante a conversa Detemar pergunta a Jeneci: “Já colocou as garrafas para o pessoal levar?”. Ela responde que ainda não. O interlocutor contou-nos que separa as garrafas para um senhor que mora em cima do morro, e que em sua opinião, faz a coleta direitinho. “Ele mexe nas lixeiras pega o que houver e não fica bagunçando. E daí ele ganha o dinheirinho dele.” Disse Detemar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Aulas de geografia e história no Arroio Dilúvio 3

- Olha que pouca vergonha!

É o que diziam os alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental Prof. Sylvio Torres, ao nos apontarem sacos de lixo, garrafas pet, sofás, e outros dejetos no percurso que fizemos, em parceria com o projeto da escola que é desenvolvido pela professora Rosane (Vilma) Arrial, com alunos de 5a e 6a séries.

As imagens foram feitas em dezembro de 2009, durante um percurso guiado pelos alunos, costeando o Arroio Dilúvio, até a Barragem do Sabão. Os vídeos foram editados seguindo os questionamentos que surgiam durante o trabalho de campo. Para avançarmos no trabalho, para além da denúncia sobre as condições ambientais do arroio, é preciso refletir sobre uma perspectiva ambiental que inclua a lógica do cotidiano desta comunidade e da Região Metropolitana. É nesta linha que se desenvolvem os questionamentos de Eric, Guilherme, Mariele e Jade.


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A pergunta de Eric sobre a coleta de lixo é importante, para que a comunidade local não seja a única a ser responsabilizada pela quantidade de lixo que encontramos no percurso. A passagem do caminhão pelas pequenas ruas e becos é dificultada, mas não é este o único problema - a própria lógica viária do local segue a costa do arroio. É a mesma polêmica que encontramos no arroio sem nome, na mesma região. A instalação das lixeiras segue a lógica das ruas e avenidas principais, onde passam os caminhões, por ondem chegam e partem os moradores no acesso aos ônibus.

veja essa postagem em:
http://habitantesdoarroio.blogspot.com/2009/05/o-arroio-sem-nome-1.html

A lógica das ruas, que liga a comunidade ao seu exterior, é aplicada de igual forma ao arroio - as águas levam embora os dejetos, conduzem a outros territórios, assim como também trazem dejetos de outros lugares. O arroio está ao lado, mas já está fora da vizinhança, é um limite.

é o que se pode ver na seguinte postagem:
http://habitantesdoarroio.blogspot.com/2009/04/urbanizacao-de-arroios.html

Para saber mais sobre o projeto da escola, veja a primeira postagem da série:
http://habitantesdoarroio.blogspot.com/2010/01/aulas-de-geografia-e-historia-no-arroio.html





domingo, 24 de janeiro de 2010

Aulas de geografia e história no Arroio Dilúvio 2

Apresentamos mais um vídeo do percurso realizado com os alunos de 5a e 6a séries da Escola Estadual de Ensino Fundamental Prof. Sylvio Torres, que participam de um projeto desenvolvido pela professora Rosane (Vilma) Arrial.

As imagens foram feitas em dezembro de 2009, durante um percurso guiado pelos alunos, costeando o Arroio Dilúvio, até a Barragem do Sabão. Os vídeos foram editados seguindo as ótimas perguntas dos alunos sobre a sua realidade ambiental. Algumas vezes, os alunos eram provocados pela equipe de gravação ou pela professora, mas na maioria das vezes, seu olhar de estranhamento sobre a paisagem do arroio foi o que direcionou a lente da camera e o microfone.


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A principal questão que aparece aqui é sobre a relação do "valão" com a barragem e com a água que abastace as casas da região. O nome de "valão" que é recorrente em outras regiões da bacia do arroio, principalmente na beira de seus afluentes, não se refere à água que corre no arroio, mas sim ao buraco pelo qual a água passa. Assim faz sentido a resposta de Guilherme sobre a utilidade da barragem - "Para destruir a casa dos outros" - na medida em que o valão vai transbordar quando tiver muita água para escorrer da barragem. Para entender o lugar desse "valo", ou "valão" na Bacia do Arroio Dilúvio, vale a pena olhar algumas imagens no blog que mostram a drenagem urbana e a posição dessa parte do dilúvio justamente entre morros.

Outra questão que é comentada é o abastecimento de água na região, e a importância da Barragem do Sabão

De acordo com um estudo feito por pesquisadores do Departamento. de Geografia da UFRGS, "A barragem Lomba do Sabão foi construída na década de 40 para o tratamento de água com fins de abastecimento público. Hoje, a Estação de Tratamento de Água (ETA) Lomba do Sabão abastece, majoritariamente, os bairros Lomba do Pinheiro e Agronomia, sendo responsável pelo tratamento e distribuição de 4% da água consumida no município de Porto Alegre, abastecendo 48.300 habitantes (Bendati et al., 1998). Esta barragem é alimentada por seis sub-bacias de arroios de pequeno porte que compõem a bacia do Arroio Dilúvio e, de acordo com Tavares (1997), está localizada na região limítrofe entre os municípios de Porto Alegre (E-SE) e Viamão (W), dentro do Parque Saint Hilaire, que constitui, em sua maior parte, área de preservação permanente. A área de contribuição da represa é de 1.428 ha, na qual atualmente residem cerca de 23.000 habitantes (Bendati et al., 1998). Este reservatório tem caráter estratégico para a cidade e para o Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), considerando que constitui a única captação de água que não provém do Lago Guaíba e, portanto, representa uma área livre de poluidores potenciais como o Pólo Petroquímico, o Pólo Carboquímico, indústrias de papel e celulose, de couros, além da navegação. Visto isso, "(...) a manutenção desta Estação de Tratamento de Água garante a continuidade do abastecimento, caso ocorram eventuais problemas de contaminação na bacia do Guaíba" (Bendati et al., 1998). Entretanto, a qualidade da água dos mananciais que deságuam na barragem tem sido comprometida no decorrer dos anos, devido à ocupação urbana progressiva em área no entorno do reservatório."

veja mais em:
http://www.ub.es/geocrit/b3w-407.htm


Para saber mais sobre o projeto da escola, veja a primeira postagem da série:
http://habitantesdoarroio.blogspot.com/2010/01/aulas-de-geografia-e-historia-no-arroio.html


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Aulas de geografia e história no Arroio Dilúvio

Apresentamos alguns vídeos produzidos em parceria com um projeto da Escola Estadual de Ensino Fundamental Prof. Sylvio Torres, que é desenvolvido pela professora Rosane (Vilma) Arrial, com alunos de 5a e 6a séries.

Em dezembro de 2009 fizemos um percurso com os alunos, costeando o Arroio Dilúvio, até a Barragem do Sabão. No caminho pelas ruas da Vila Herdeiros muitos questionamentos foram feitos pelos alunos, sobre a dinâmica das águas do “valão” que costuma encher e alagar as casas às suas margens. Para além do funcionamento ecossistêmico do arroio, os alunos se perguntavam também sobre as relações da comunidade com suas águas e sobre as responsabilidades para com os problemas ambientais locais. Colocaremos aqui no blog alguns dos vídeos que apresentam estes questionamentos, apontando links de outras postagens que ajudam a esclarecer as ótimas perguntas dos alunos

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A iniciativa da Professora Vilma, que como ela mesma menciona, precisa de constante investimento, já recebeu o apoio de algumas entidades voltadas para as questões ambientais e para outras questões relacionadas a cidadania e educação. Essa é uma iniciativa que poderia ser reproduzida em outras escolas que se localizam na Bacia do Arroio Dilúvio.

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Prof. Sylvio Torres fica na Rua Erotilde Machado Santana – Bairro Agronomia - Porto Alegre - Rio Grande Do Sul Telefone: (51) 3319-7678. As fotografias que aparecem no vídeo foram feitas em junho de 2008, e foram disponibilizadas pela professora.

Veja na sequência mais postagens com vídeos feitos durante este percurso.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Milhares de peixes mortos no Arroio Dilúvio

Confira o resultado do laudo do DMAE sobre a causa da morte de milhares de peixes no Arroio Dilúvio.



Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1%C2%A7ion=Geral&newsID=a2777460.xml


"A explicação mais provável para a mortandade de peixes verificada no Arroio Dilúvio na última terça-feira (13/01/2010), segundo laudo divulgado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM), foi a falta de oxigenação na água causada pelo excesso de sedimentos orgânicos e pelas altas temperaturas. O laudo foi realizado pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae).

O ingresso de vários peixes no Arroio Dilúvio foi facilitado pelo nível elevado das águas que, em condições de chuva forte, também agregaram sedimentos orgânicos.

- Isso tudo, somado às condições de altas temperaturas, provoca queda brusca nas concentrações de oxigênio dissolvido -, explica o secretário interino de Meio Ambiente, José Furtado.

A hipótese de mortandade por efeito tóxico foi descartada pelo laudo, devido à baixa concentração de nitrogêneo amoniacal dadas as condições de ph e a temperatura das águas.

Na noite do dia 12, a Divisão de Pesquisa do Dmae realizou coleta de amostra de água do Arroio Dilúvio, nos trechos das avenidas Azenha, Erico Veríssimo e Mucio Teixeira. Na manhã de quarta-feira, 13, foi realizada nova vistoria no arroio Dilúvio, no trecho da avenida Azenha até a avenida Edvaldo Pereira Paiva.

Foram encontrados boiando os peixes das espécies biru, mandim, lambari, cará e jundiá."

ARROIO DILÚVIO - Mapa dos locais pesquisados em Porto Alegre - clique nos ícones para ver


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