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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Percursos 2

Durante nosso percurso com a Bienal do Mercosul, em novembro, conhecemos Sônia, uma ex-moradora da região do Beco dos Marianos (Morro Santana). Ela lembra emocionada da infância e da relação com as águas ao ser provacada pelos sons da água correndo entre pedras e chão de terra, pela paisagem do Arroio Dilúvio já menos canalizado.


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Sônia é autora de um livro de poesias e textos sobre os arroios de Porto Alegre, obra que ela gentilmente disponibilizou para a nossa pesquisa e para alguns passageiros do percurso.

Segue abaixo trechos do livro “Águas correntes (Nossos arroios)” de Sônia Vieira.

"E o vento me leva ao arroio que ficava na frente da minha casa, lá, eu ainda menina pescava com meus irmãos. Deus! Como éramos felizes. Que sensação maravilhosa esta de pescar..."(Página 35).

"Neste momento estou enxergando os raios do sol iluminando parte das águas do meu arroio e aquela luz na areia grossa do seu fundo é maravilhosa e os peixinhos circulam faceiros." (Página 35).

"Nesses lugares a água parecia mais escura e não se enxergava o fundo. Ai ficava tudo mais misterioso. O que teria embaixo daquelas pedras? Imaginávamos cobras venenosas, monstros dos mais diversos. Era a parte mais emocionante da pescaria. Riamos muito, mas na verdade também o medo nos deixava palpitantes. É preciso que a saudade bata fundo no nosso coração e, só então, retornaremos áquele tempo, levados pelo vento, para vivenciarmos novamente aquela alegria contagiante de crianças brincando da forma mais saudável e pura possível, junto à natureza, junto à água que corre sem parar, como o tempo." (Página 36).

"Aquele arroio nos proporcionou muitas brincadeiras, além da pescaria. Brincávamos num pequeno barco de madeira, que sempre 'virava' e podíamos tomar aquele banho. Que maravilha! Que vida boa era aquela." (Página 36).

"Foi também nas águas deste arroio que minha avó, há muitos anos atrás, lavava a roupa dos seus onze filhos e lavava, também, a roupa de outras famílias para ajudar na renda familiar." (Página 36).

"Meu barco era cheio de alegrias, brincadeiras sem fim. A gente ria, ria... Até se mijar de tanto rir." (Página 38).

"As águas daquele arroio corriam sem parar sobre pedras por onde passávamos sempre pulando, uma a uma. Como era bom quando escorregávamos, era um banho maravilhoso, feliz, mais molhado não poderia ser, e o mais importante, justificado. Afinal, foi um escorregão onde poderíamos até nos machucar. Eta vida bem boa. Não sei por que passamos anos pulando sobre as pedras e ninguém teve a idéia de fazer uma pinguela sequer. Ainda bem, não teria sido tão interessante." (Página 47).

"O arroio da minha infância

Aquela água sempre corria,
corria para a mesma direção,
as vezes queria inverter.
Queria ir até sua nascente
Dizem que lá tem um olho
Um olho de água
Que grande deve ser esse olho,
olha tudo." (Página 62).

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