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quinta-feira, 12 de março de 2009

O que deságua no arroio?

video
Percorrendo o arroio em sua extensão dificilmente percebemos a forma da sub-bacia do arroio, ou seja, a sua ligação com outras regiões da cidade a partir de arroios afluentes, “sangas”, e águas subterrâneas, que chegam ao Dilúvio vindas de morros, de vilas, ou do subsolo de bairros urbanizados. Dia 16 de fevereiro, enquanto observávamos um ponto do arroio, produzindo imagens, constatamos a presença de uma pequena sanga que revela como se combinam ruas, águas, habitações e pedestres na região.

O trabalho de campo começava na passarela/ponte
da CEEE, feita de madeira de eucalipto. Embora seja uma região de contato do arroio com grandes “favelas” urbanas (as vilas de Porto Alegre), é também uma região que se encontra em processo de valorização imobiliária. Grandes condomínios em construção, muitas lojas no estilo “megastore”, revendas de automóveis, prédios comerciais de escritórios anunciam novidades neste mesmo local, que permanece identificado, o trecho final da Av. Ipiranga, com o Bairro Jardim Botânico, no mapa da cidade.Neste ponto, lojas de pneus, borracharias, lavagens de carro, um condomínio em construção, bares, e a primeira surpresa do dia: a ponte é muito utilizada por pedestres. Não são apenas carros e ônibus que freqüentam o final da Avenida Ipiranga. Neste mesmo trecho, constatam-se novos usos para o arroio: a prática de esportes, caminhadas ao pôr-do-sol. Durante 30 minutos que ficamos ali, passaram umas 20 pessoas, muitas cruzaram a Avenida Ipiranga e logo voltaram. Detalhe – poucos olhavam para o arroio enquanto passavam pela ponte.
Avançando um pouco mais, descobrimos mais um dado, há uma pequena “sanga”, que corre até o arroio, vindo do morro da Bom Jesus. Trata-se de u
m afluente do arroio, ainda não canalizado? Enquanto fazíamos imagens “dentro” do arroio, percorrendo seus taludes, observamos que tal “sanga” serve também de caminho para acesso ao morro, utilizado pelos pedestres. Planejamos retornar ao local, um ponto de contato do Arroio Dilúvio com o morro do Bairro Bom Jesus e as vilas Pinto, Mato Sampaio, Divinéia, entre outras.

Retornamos alguns dias depois, ao ponto observado. Gravamos a entrada do beco e depois entramos, costeando a sanga. Alguns pedestres passam, um tanto constrangidos: mulheres com crianças, adolescentes e jovens, mulheres mais velhas. É um ponto onde os moradores têm acesso às paradas de ônibus e às lotações da Avenida Ipiranga.

Constatamos o odor típico do “valão”, como são conhecidos os arroios que se fundem com o esgoto doméstico e o lixo que é lançado em suas águas. Na margem, do outro lado, uma casinha de madeira, galinhas ciscando. Dentro do arroio muito lixo: carcaça de máquina de lavar, os indefectíveis pneus, sacolas, muito material de construção, embalagens. Mas o cheiro era de matéria orgânica. De onde vinham? (continua na próxima postagem)


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